Dezoito meses após o início da concessão, as rodovias administradas pela EPR Litoral Pioneiro passam por seu primeiro reajuste tarifário autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A medida, prevista em contrato, reacende um debate antigo: como equilibrar os investimentos necessários em infraestrutura viária com o impacto direto que os pedágios causam no orçamento de quem depende diariamente das estradas.
Os números apresentados pela concessionária não são pequenos. Mais de R$ 500 milhões já foram aplicados em melhorias que vão da recuperação de pavimento à implantação de milhares de placas de sinalização, além da manutenção de equipes médicas e operacionais 24 horas. Histórias de vidas salvas, partos realizados e atendimentos de emergência mostram que a presença da concessionária, de fato, trouxe resultados concretos para a segurança dos motoristas. É inegável que os 605 quilômetros de rodovias sob gestão apresentam hoje condições diferentes das que tinham antes da concessão.
No entanto, o reajuste das tarifas sempre suscita questionamentos. Para os motoristas que utilizam as rodovias com frequência, especialmente os trabalhadores que se deslocam diariamente, cada aumento significa mais um peso no orçamento familiar ou empresarial. Por isso, é essencial que a transparência sobre os investimentos, prazos e entregas esteja sempre em primeiro plano. O usuário, que paga a conta, precisa ter clareza sobre onde o dinheiro está sendo aplicado e quais benefícios concretos ele trará a curto, médio e longo prazo.
O desafio, portanto, é manter o equilíbrio entre a justa remuneração pelo serviço prestado e a garantia de que os cidadãos não sejam penalizados além do razoável. A concessão de rodovias deve ser vista como um contrato social, em que a melhoria da infraestrutura e a segurança de quem trafega são prioridades, mas em que a modicidade tarifária também deve ser respeitada.
Se os próximos anos confirmarem as promessas de ampliação e modernização, os usuários poderão enxergar que o pedágio não é apenas custo, mas investimento em segurança e qualidade de vida. Até lá, cabe à sociedade acompanhar de perto, cobrar e fiscalizar, para que a estrada da confiança seja construída com a mesma solidez que o asfalto que cobre nossas rodovias.