Emerson Teixeira
Ponta Grossa – A Represa de Alagados, vital para o abastecimento de água de Ponta Grossa, enfrenta novamente um cenário de nível baixo, revelando um pedaço de sua história submersa: o leito da antiga estrada que ligava o interior, na época de Castro, atualmente Carambeí, à cidade. Este fenômeno, que remete à última vez em que a estrada foi visível em 2020, acende um alerta sobre as condições hídricas e climáticas da região.
A Represa de Alagados foi construída na década de 1940 pela Companhia Prada de Eletricidade S.A., com o propósito inicial de abastecer a Usina Hidrelétrica São Jorge. O represamento do Rio Pitangui deu origem a este grande lago artificial, que hoje se estende pelos municípios de Ponta Grossa, Carambeí e Castro. Além da geração de energia, a represa tornou-se fundamental para o abastecimento público, sendo gerida pela Sanepar.
O nível considerado normal da represa varia entre 9 e 10 metros, podendo atingir até 11 metros em períodos de chuvas intensas. No entanto, a construção da barragem resultou na submersão de uma importante via terrestre da época: a estrada velha que conectava Castro (atualmente Carambeí) a Ponta Grossa. Esta estrada só reaparece em momentos de estiagem severa, quando o nível da água recua significativamente.

Sinal de Alerta
Neste mês de fevereiro, o nível da Represa de Alagados atingiu 7,4 metros, um patamar considerado baixo e que permitiu a reemergência da antiga estrada. Este cenário é um reflexo da estiagem que tem afetado a região, com volumes de chuva abaixo da média histórica para o mês de janeiro. A última vez que a estrada foi vista foi em abril de 2020, quando o nível da represa chegou a 7,5 metros durante uma crise hídrica que impactou grande parte do Paraná. Naquela ocasião, a situação foi tão crítica que era possível atravessar partes do reservatório a pé.
O reaparecimento da estrada não é apenas um fato curioso, mas um indicador visual das condições de seca. A Sanepar, responsável pela gestão da represa, tem monitorado constantemente a situação, utilizando ferramentas como o InfoHidro do Simepar. Apesar do baixo nível, a companhia afirma que as captações estão em pleno funcionamento e que não há risco iminente de crise hídrica, mas reforça a importância do uso racional da água pela população.