Guerra da Ucrânia: 23 brasileiros morreram em quatro anos; Paraná registra cinco casos, incluindo um castrense

Levantamento do Página Um News, com base em dados do Itamaraty, revela ainda 44 brasileiros desaparecidos; metade das mortes ocorreu apenas em 2025

Emerson Teixeira

No marco de quatro anos do início da guerra entre Ucrânia e Rússia, um levantamento realizado pelo Página Um News aponta que 23 brasileiros morreram desde fevereiro de 2022 no conflito do Leste Europeu. Os dados são do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), que também confirma 44 cidadãos brasileiros oficialmente desaparecidos.

A escalada das mortes acendeu um alerta no governo federal. Segundo os números consolidados até fevereiro de 2026, 12 das 23 mortes ocorreram somente em 2025, representando mais da metade dos óbitos registrados em quatro anos de guerra. Diante do avanço dos casos, o Itamaraty reforçou comunicados desaconselhando o alistamento de brasileiros em forças estrangeiras envolvidas no conflito.

Embora o governo brasileiro não mantenha uma lista pública consolidada com todos os nomes, datas e circunstâncias das mortes, informações reunidas a partir de reportagens e comunicações oficiais permitem identificar parte das vítimas — entre elas, cinco cidadãos do Paraná.

Paranaenses mortos

O levantamento do Página Um News identificou cinco cidadãos do Paraná que se voluntariaram para atuar no conflito no Leste Europeu. Deste grupo, três tiveram as mortes confirmadas pelas autoridades brasileiras e dois seguem oficialmente desaparecidos. Há ainda o registro de um quinto integrante que conseguiu desertar e deixar a zona de guerra. Entre os mortos está um castrense, natural de Castro, nos Campos Gerais.

Castrense Murilo Lopes Santos morto em 2024

Os casos apurados são os seguintes:

Antônio Hashitani, natural de Curitiba, era estudante de medicina quando decidiu se alistar. Ele morreu em combate na cidade de Bakhmut, em agosto de 2023, durante uma das fases mais intensas dos confrontos na região.

Murilo Lopes Santos, de Castro, alistou-se em novembro de 2022. O castrense morreu em combate na região de Zaporizhzhia, em julho de 2024, tornando-se um dos brasileiros mortos oficialmente confirmados pelo governo federal.

Gabriel Lopacinski, de Mallet, partiu para a Ucrânia em setembro de 2024. Filho de descendentes de ucranianos, teve a família informada sobre sua suposta morte em janeiro de 2025. No entanto, o corpo nunca foi localizado, e o caso permanece como desaparecimento.

Wagner da Silva Vargas, de Santo Antônio do Sudoeste, está desaparecido desde junho de 2025, após ser deslocado para a linha de frente. Até o momento, não houve confirmação oficial de óbito.

Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, também de Curitiba, morreu em combate na região de Donbass, em janeiro de 2026, a um mês do encerramento de seu contrato com as forças estrangeiras.

Crescimento das mortes

O aumento significativo de óbitos em 2025 alterou o panorama do envolvimento de brasileiros no conflito. Até então, os registros eram esporádicos. No último ano, no entanto, o número praticamente dobrou.

Autoridades diplomáticas têm reiterado que o Brasil não incentiva nem reconhece o alistamento voluntário de seus cidadãos em forças militares estrangeiras. O Itamaraty também alerta para os riscos jurídicos e humanitários envolvidos, além das dificuldades logísticas para localização de desaparecidos e repatriação de corpos em áreas de combate ativo.

Foto: Unicef

 

Quatro anos

Iniciada em fevereiro de 2022, a guerra na Ucrânia atravessa seu quarto ano mantendo frentes de batalha intensas e um cenário geopolítico instável. O conflito, que já provocou milhares de mortes entre militares e civis europeus, também deixou marcas profundas em famílias brasileiras.

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