ESPECIAL – Castro 322 anos e Castrolanda 75: uma parceria que ajudou a construir a força do agro nos Campos Gerais

Presidente destaca que organização dos produtores, inovação e cooperação ajudaram a transformar o município na Capital Nacional do Leite.

Emerson Teixeira

O município de Castro celebra 322 anos de história em 2026, data que coincide com os 75 anos de atuação da Cooperativa Castrolanda, uma das principais referências do cooperativismo agroindustrial no Brasil. Para o presidente da cooperativa, Willem Berend Bouwman, a trajetória da instituição está profundamente ligada ao crescimento econômico e social do município. Segundo ele, a organização dos produtores e o desenvolvimento tecnológico foram fundamentais para transformar a região em um dos maiores polos leiteiros do país.

Fundada por imigrantes holandeses no início da década de 1950, a Castrolanda nasceu em um cenário desafiador. A região que hoje abriga um dos mais importantes polos agropecuários do Brasil era, na época, formada por extensas áreas de campos ainda pouco exploradas economicamente.

De acordo com Bouwman, o crescimento da cooperativa foi resultado da união entre trabalho, organização e troca de conhecimento. “A cooperativa teve uma contribuição muito grande. Há 75 anos aqui eram todos campos brutos e quando os imigrantes chegaram começaram a trabalhar a terra e produzir. Quem faz a cooperativa acontecer são as pessoas moradoras de Castro”, afirma.

Ele destaca que, além da produção agropecuária, a cooperativa ajudou a estruturar serviços essenciais para o desenvolvimento do setor, como assistência técnica e programas de pesquisa. “O que a Castrolanda fez foi organizar todos os produtores, oferecer assistência técnica e estruturar iniciativas como a Fundação ABC, buscando conhecimento em outros locais e trazendo isso para o município”, explica.

Esse modelo de organização coletiva foi determinante para impulsionar a produtividade e consolidar o cooperativismo como base da economia regional.

O impacto no desenvolvimento do município

Ao longo das últimas décadas, a atuação da cooperativa ajudou a transformar Castro em uma referência nacional na produção leiteira. Hoje, o município é amplamente conhecido como a Capital Nacional do Leite, título que reflete o desempenho da cadeia produtiva local.

Para o presidente da Castrolanda, esse resultado é fruto de um processo contínuo de cooperação entre produtores, cooperativa e comunidade. “A Castrolanda foi estratégica para o município de Castro, justamente porque o município é a capital do leite. Isso é graças à cooperativa. Eu digo que é um ciclo virtuoso que faz a cooperativa acontecer”, afirma.

Além do impacto direto na produção agropecuária, a cooperativa também contribui para a geração de empregos, renda e desenvolvimento tecnológico na região dos Campos Gerais.

Em 2026, por exemplo, a Castrolanda anunciou um pacote de aproximadamente R$ 500 milhões em investimentos, considerado o maior da história da instituição. Entre os projetos está a ampliação da Usina de Beneficiamento de Leite em Castro, com a construção de uma nova torre de secagem que deverá ampliar significativamente a capacidade industrial da cooperativa nos próximos anos.

Outra iniciativa estratégica é o desenvolvimento do Parque Tecnológico Agroleite, voltado à pesquisa e inovação na pecuária leiteira, além de projetos educacionais realizados em parceria com instituições de ensino e com o poder público.

Datas

A coincidência entre os 75 anos da Castrolanda e os 322 anos de Castro tem um significado especial para a cooperativa. Para Bouwman, o crescimento da instituição reflete também o espírito de acolhimento e desenvolvimento que marcou a história do município. “Gostaria de parabenizar o município de Castro, que contribuiu muito para o desenvolvimento do Paraná e acolheu os imigrantes holandeses que chegaram aqui há 75 anos. Pessoas que não tinham conhecimento, mas que foram recebidas de braços abertos”, destaca.

Ele também ressalta que o futuro do município depende da continuidade desse espírito de cooperação e trabalho coletivo. “Desejo a todos os castrenses que, com seriedade, união e muito trabalho, possamos fazer esse município prosperar, gerar desenvolvimento e renda para a população”, afirma.

Futuro

Se o passado da cooperativa foi marcado pela consolidação da produção agropecuária, o futuro passa pela inovação e pela capacidade de adaptação às novas demandas do agronegócio.

Segundo o presidente da Castrolanda, manter a competitividade exige investimento constante em tecnologia e gestão. “Os desafios são muitos. Precisamos estar sempre na vanguarda da produção e buscar novas soluções para a agropecuária do município. Estamos fazendo isso por meio do Parque Tecnológico Agroleite”, explica.

Bouwman também destaca que o potencial agrícola da região continua sendo um dos grandes ativos de Castro. “Temos pessoas trabalhadoras, um bom clima e uma região com grande potencial agropecuário. Precisamos colocar tudo isso em ordem, em uma sequência que contribua para a produção”, diz.

Para ele, a cooperação entre diferentes setores da sociedade será fundamental para garantir novos avanços. “Quando cooperativa e poder público somam esforços, ideias e conceitos, nós vamos muito mais longe.”

Participe do grupo no WhatsApp do PáginaUm News e receba as principais notícias dos campos gerais direto na palma da sua mão.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.