Lula defende regulação das plataformas digitais após vitória nas eleições

Em primeiro discurso após o resultado, presidente reeleito afirmou que pretende ampliar a participação popular nas decisões do governo e dar mais espaço à comunicação digital.

Da Redação

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a regulação das plataformas digitais e afirmou que pretende ampliar a participação popular nas decisões do governo durante seu próximo mandato. As declarações foram feitas na noite deste domingo (25), em São Paulo, no primeiro discurso após a confirmação de sua vitória nas eleições presidenciais de 2026.

Segundo o material divulgado pela Agência Brasil, Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos. Durante o pronunciamento, o presidente afirmou que a campanha enfrentou interferências provenientes do exterior por meio das plataformas digitais e defendeu que crimes cometidos no ambiente virtual sejam tratados com a mesma seriedade que aqueles praticados fora da internet.

“Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual crime na vida real”, declarou.

Lula também criticou o poder econômico das grandes empresas de tecnologia e questionou o pagamento de impostos por essas companhias no Brasil. Segundo ele, as plataformas não deveriam tentar influenciar os resultados eleitorais do país.

Participação popular e comunicação digital

Ao falar sobre as prioridades do próximo governo, Lula afirmou que pretende modificar a forma de governar, ampliando a participação da população nas decisões. O presidente também destacou que a comunicação digital deverá ocupar espaço importante na nova gestão.

Durante o discurso, agradeceu ao deputado federal André Janones, que participou da mobilização nas redes sociais em apoio à sua candidatura, e reconheceu o envolvimento de jovens e idosos durante o segundo turno.

Lula relatou ter visto pessoas com dificuldades de locomoção comparecendo às urnas e atribuiu a participação dos eleitores à mobilização em defesa da democracia.

O presidente também afirmou que pretende se comunicar diretamente com a população para apresentar suas posições e ações, sem depender exclusivamente da interpretação de jornalistas.

O pronunciamento ocorreu por volta das 22h20, em um auditório do hotel InterContinental, na capital paulista. Depois da fala, Lula seguiu para a Avenida Paulista, onde apoiadores realizavam uma comemoração pela vitória.

Prioridades para o próximo mandato

Na área econômica, Lula pretende dar continuidade a políticas de investimento público, programas sociais e valorização da renda. Entre as prioridades mencionadas no material estão a manutenção de iniciativas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, o combate à fome, a valorização real do salário mínimo e os investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável.

O presidente também pretende manter o arcabouço fiscal, mecanismo que estabelece regras para o crescimento das despesas públicas, e defender maior progressividade na tributação, com participação proporcionalmente maior das rendas mais altas no financiamento do Estado.

Na educação, as propostas incluem a construção de creches e pré-escolas, a ampliação do ensino em tempo integral, a formação e valorização de professores e o fortalecimento de programas como Pé-de-Meia e Pé-de-Meia Licenciatura.

As iniciativas foram apresentadas como diretrizes e intenções para o próximo mandato. A execução dependerá das medidas adotadas pelo governo e dos respectivos processos administrativos e orçamentários.

Articulação política

O discurso foi acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e por integrantes do governo, parlamentares e aliados da campanha. Entre os nomes citados estavam André Janones, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, e a deputada federal Marina Silva.

Também estiveram presentes o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a ex-ministra Simone Tebet e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, apontado no material como coordenador de comunicação da campanha.

A regulação das plataformas digitais, a comunicação direta com a população e a continuidade das políticas econômicas e sociais estão entre os temas destacados por Lula após a vitória eleitoral. As declarações indicam algumas das prioridades que o presidente pretende levar ao próximo mandato, mas não detalham como eventuais mudanças nas regras para as empresas de tecnologia serão formuladas e implementadas.

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