Castro inicia novo mandato do Conselho de Igualdade Racial com R$ 87 mil em recursos estaduais aprovados
Washington Rogeldo Marques assume a presidência do COMPIR para o período 2026–2028; gestão anterior obteve repasses para ações antirracistas e deixou em andamento a adesão ao sistema nacional da área.
Da Redação*
Castro – A destinação de terrenos para comunidades tradicionais, a criação de um espaço voltado à igualdade racial e a continuidade de projetos de combate ao racismo estão entre os temas que passam a integrar a agenda do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR) de Castro. Os novos integrantes tomaram posse na quinta-feira (8), para o mandato 2026–2028, e elegeram Washington Rogeldo Marques como presidente.
A composição reúne representantes do poder público e de organizações da sociedade civil, incluindo comunidades quilombolas, indígenas e ciganas. A nomeação dos conselheiros foi oficializada pelo Decreto nº 727/2026, assinado pelo prefeito Reinaldo Cardoso em 7 de outubro.
Durante a cerimônia, o prefeito anunciou a destinação de um terreno para a comunidade indígena, em uma área mais próxima do centro da cidade, e outro para a instalação definitiva da comunidade cigana. Também mencionou a construção da Casa da Igualdade Racial em um ponto turístico do município. Não foram informados prazos para a execução dos projetos nem detalhes sobre os locais escolhidos.
Conselho reúne poder público e comunidades tradicionais
O COMPIR terá representantes de secretarias municipais e da Superintendência de Habitação e Regularização Fundiária, além de entidades e coletivos ligados à promoção da igualdade racial.
Entre os grupos da sociedade civil estão a Associação das Comunidades Quilombolas de Castro e Adjacências, o Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais, o Coletivo Centro Cultural de Umbanda Povo Cigano do Oriente, a Comunidade Cigana Kalon de Castro, a Comunidade Indígena Coletivo Ivy Iporã e as comunidades quilombolas Mamãs, Limitão, Serra do Apon e Família Xavier.
Ao assumir a presidência, Washington afirmou que pretende conduzir o trabalho em conjunto com os demais integrantes. “Presidir um Conselho é um desafio, mas é um caminho que eu faço junto com os outros conselheiros, não estarei fazendo sozinho”, declarou.
Ele também defendeu a continuidade das políticas públicas voltadas à equidade racial. “Acredito que é muito importante o Conselho ter essa continuidade para que o município se torne mais igualitário, mais justo e melhor para todas as pessoas”, disse.

Gestão anterior viabilizou R$ 87 mil para ações
O encerramento do mandato anterior foi marcado pela aprovação de R$ 87 mil em recursos estaduais destinados à política de igualdade racial em Castro. Os valores foram distribuídos em dois repasses: R$ 60 mil aprovados em 2025 e outros R$ 27 mil em 2026.
A ex-presidente Liliane Cardoso e Silva, que esteve à frente do conselho por duas gestões e foi sua primeira presidente representante da sociedade civil, atribuiu a obtenção dos recursos à organização do colegiado e à entrega da documentação exigida dentro dos prazos.
“Esse resultado é fruto de um trabalho de construção institucional realizado desde o nascimento do Conselho”, afirmou.
O primeiro repasse foi destinado a um plano de ação aprovado pelo Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Consepir/PR) e formalizado pela Resolução do COMPIR nº 7, de 12 de novembro de 2025. O segundo, de R$ 27 mil, teve seu plano de aplicação aprovado pela Resolução nº 5, de 19 de junho de 2026.
A programação dos recursos inclui prevenção à violência racial, mobilização comunitária, formação antirracista e letramento racial. No plano de 2026, a distribuição prevê R$ 5 mil para atividades de combate à intolerância religiosa, R$ 15 mil para ações de letramento racial e R$ 7 mil para capacitação de conselheiros. O cronograma de execução vai de agosto de 2026 a agosto de 2027.
Entre as atividades já realizadas está o curso “Notas de Escurecimento”, ministrado por Plínio Camillo em maio de 2026. Parte dos recursos também deverá apoiar a programação da Consciência Negra, em novembro, a formação dos novos conselheiros, a produção de materiais informativos sobre povos tradicionais e a realização de campanhas e mostras culturais.
Conferência levou demandas locais ao debate nacional
Outro resultado da gestão anterior foi a realização da primeira Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial, em 2025. Conforme Liliane, propostas discutidas no encontro avançaram para a etapa nacional, a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir).
“Conseguimos conectar as demandas locais ao debate nacional. Esse é um legado importante da nossa gestão”, afirmou.
O período também incluiu a elaboração do Plano Municipal de Promoção da Igualdade Racial 2025–2028, o fortalecimento da participação das comunidades tradicionais e a atualização da legislação que estabelece a composição do conselho. A nova estrutura prevê 22 titulares e 22 suplentes, com paridade entre representantes governamentais e da sociedade civil.
A adesão de Castro ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) permanece em análise. O processo foi encaminhado à Procuradoria-Geral do Município, em articulação com as secretarias de Assistência Social e de Governo.
O secretário municipal de Assistência Social, Günter Lesnau, ressaltou a função dos conselhos na formulação e no acompanhamento de políticas públicas. Sobre a adesão ao Sinapir, afirmou que o procedimento pode ser importante para a captação de recursos destinados ao município e ao próprio COMPIR.
Casa da Igualdade Racial é uma das propostas para o novo ciclo
Para Liliane, a criação de uma Casa da Igualdade Racial poderá oferecer um local de acolhimento, formação, articulação entre comunidades e valorização cultural. Ela também avaliou que a destinação de áreas às comunidades indígena e cigana pode representar um avanço, desde que os anúncios sejam transformados em medidas concretas.
Ao deixar a presidência, a ex-presidente informou que continuará no conselho como conselheira e liderança quilombola. “Encerro minha presidência, mas não encerro meu compromisso com essa pauta. Continuarei contribuindo como conselheira e liderança quilombola”, declarou.
A nova composição assume, portanto, com recursos estaduais aprovados para execução, a adesão ao sistema nacional ainda em análise e propostas anunciadas para comunidades tradicionais. O andamento dessas medidas será parte dos pontos a acompanhar durante o mandato que segue até 2028.
*Com Assessoria
