Comunidade Quilombola do Varzeão relata preocupação com segurança e pede proteção

Moradores afirmam que homens em motocicletas, drones e pessoas que se identificariam como seguranças ligados a interesses empresariais têm circulado pela região

Da Redação

Doutor Ulysses – A Comunidade Quilombola do Varzeão, localizada na região de divisa entre os municípios de Doutor Ulysses e Sengés, nos Campos Gerais do Paraná, afirma estar enfrentando um período de preocupação com a segurança das famílias que vivem no território.

Segundo relatos encaminhados pela comunidade, nas últimas semanas homens em motocicletas passaram a circular pela região e drones teriam sobrevoado o território. Os moradores também relatam que algumas pessoas teriam se apresentado como seguranças ligados a interesses empresariais.

A comunidade afirma que não busca confronto, mas pede a presença das autoridades e medidas de proteção para evitar que a situação se agrave.

“Não queremos confronto. Queremos proteção.”

Regularização do território

A preocupação ocorre em meio ao processo de regularização fundiária do Território Quilombola Varzeão.

Em março de 2026, o Governo Federal publicou o Decreto nº 12.909, que declarou de interesse social, para fins de desapropriação, os imóveis rurais abrangidos pelo território quilombola localizado nos municípios de Doutor Ulysses e Sengés.

O decreto menciona uma área de 6.593,0938 hectares de imóveis rurais com domínio válido abrangidos pelo território reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O reconhecimento do território pelo Incra ocorreu em 2023, por meio da Portaria nº 226, que identificou e declarou os limites do Território Quilombola Varzeão. Na ocasião, a área reconhecida correspondia a aproximadamente 7,2 mil hectares.

A regularização fundiária, no entanto, ainda não significa a conclusão do processo de titulação. Conforme informações do Observatório Terras Quilombolas, o procedimento permanece em andamento no Incra e a comunidade ainda não recebeu o título definitivo do território. A etapa mais recente registrada é a publicação do decreto de desapropriação, em março deste ano.

O Incra também já informou que 35 famílias do Varzeão foram incluídas no Programa Nacional de Reforma Agrária, no âmbito das políticas destinadas às comunidades quilombolas do Paraná.

Comunidade pede acompanhamento das autoridades

Diante dos relatos, os moradores pedem que órgãos responsáveis pela segurança pública e pela regularização fundiária acompanhem a situação na região.

A comunidade também solicita apoio de organizações quilombolas, instituições de defesa dos direitos humanos e da sociedade para dar visibilidade às preocupações relatadas pelas famílias.

“Queremos que o Incra conclua seu trabalho. Queremos que as autoridades estejam presentes antes que algo mais grave aconteça”, afirma o comunicado divulgado pela comunidade.

O Varzeão possui uma história de aproximadamente dois séculos e reúne descendentes de famílias que deram origem à comunidade. Registros oficiais e estudos sobre o território documentam a presença histórica da população quilombola na região.

Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais pelas autoridades sobre os relatos envolvendo a circulação de motociclistas, os sobrevoos de drones ou a suposta presença de seguranças particulares na área.

Os episódios relatados pelos moradores ocorrem enquanto avança o processo de regularização fundiária do território, aumentando a preocupação da comunidade com a segurança das famílias que vivem na região.

“Varzeão resiste. Varzeão pede proteção”, finaliza o comunicado da comunidade.

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