Apoio de 17 prefeitos não se converte em vitória para Sandro Alex nos Campos Gerais
Candidato do PSD venceu apenas em Imbaú e Sengés entre os 19 municípios da AMCG; Moro liderou em Ponta Grossa, Castro e na maior parte da região
Emerson Teixeira*
Castro – O mapa das urnas nos Campos Gerais expôs uma diferença entre a articulação política construída durante a campanha e a escolha feita pelos eleitores. Sandro Alex (PSD), que chegou ao primeiro turno com o apoio declarado de 17 dos 19 prefeitos dos municípios que integram a Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG), terminou na frente em apenas duas cidades: Imbaú e Sengés.
Sergio Moro (PL) foi o primeiro colocado nos demais municípios do recorte regional, incluindo os dois maiores colégios eleitorais: Ponta Grossa e Castro. No estado, Moro confirmou a eleição para o Governo do Paraná ainda no primeiro turno, com 3.127.911 votos, equivalentes a 50,10% dos votos válidos.
Sandro vence em Imbaú e Sengés
As duas vitórias de Sandro Alex tiveram características bastante diferentes. Em Sengés, o candidato do PSD obteve seu melhor resultado regional. Foram 6.284 votos, correspondentes a 64,52% dos votos válidos. Moro ficou com 25,99%, enquanto Requião Filho (PDT) alcançou 9,21%.
Já em Imbaú, a disputa foi apertada. Sandro terminou com 2.416 votos, ou 38,60%, contra 2.314 votos de Moro, que chegou a 36,97%. Requião Filho somou 23,98%. A diferença entre os dois primeiros colocados foi de 102 votos.
Nos outros 17 municípios considerados no levantamento, Moro terminou na primeira posição.
O governador eleito também ultrapassou a marca de 50% em cidades como Arapoti, Castro, Ivaí, Jaguariaíva, Telêmaco Borba, Palmeira e Carambeí. Em Arapoti, chegou a 58,68%; em Ivaí, 56,33%; em Castro, 54,19%; e em Carambeí, 50,36%.
Castro teve Moro na frente e Sandro em terceiro
Em Castro, a diferença entre os três principais candidatos ajuda a dimensionar o comportamento eleitoral da região.
Moro recebeu 21.640 votos, correspondentes a 54,19% dos válidos. Requião Filho apareceu na segunda colocação, com 9.146 votos (22,90%), enquanto Sandro Alex terminou em terceiro, com 8.831 votos (22,12%).
O resultado de Castro também chama atenção pelo cenário político local. Durante a campanha, Moro recebeu apoio de lideranças ligadas ao município, entre elas Aline Sleutjes e o vice-prefeito Régis Moreno.
Outro movimento ocorreu dentro do próprio PSD. O deputado estadual Moacyr Fadel, liderança política de Castro e integrante do partido de Sandro Alex, havia declarado em abril que não apoiaria a candidatura do então pré-candidato ao governo.
Esses fatores ajudam a contextualizar o ambiente político local, mas não permitem, isoladamente, explicar a votação. A escolha registrada nas urnas resulta de diferentes elementos, entre alianças, campanhas, atuação das lideranças e decisão individual dos eleitores.
Ponta Grossa não deu vantagem ao candidato da cidade
A maior diferença entre Moro e Sandro Alex dentro dos Campos Gerais apareceu em Ponta Grossa, justamente a cidade natal do candidato do PSD.
Moro recebeu 89.550 votos, ou 47,29% dos válidos. Sandro Alex ficou com 54.146 votos (28,59%), enquanto Requião Filho alcançou 43.657 (23,05%). A distância entre Moro e Sandro chegou a 35.404 votos.
O desempenho tem peso regional porque Ponta Grossa concentra o maior eleitorado dos Campos Gerais. Mesmo com essa base, Sandro não conseguiu liderar na cidade.
Requião passou Sandro em seis municípios
O terceiro colocado na disputa estadual também encontrou espaço em diferentes pontos dos Campos Gerais.
Requião Filho terminou à frente de Sandro Alex em Castro, Curiúva, Ivaí, Ortigueira, Telêmaco Borba e Tibagi. Em Ortigueira, por exemplo, Requião somou 34,77%, enquanto Sandro teve 26,54%. Em Ivaí, a diferença foi menor: 22,04% contra 21,29%.
Em Telêmaco Borba, Requião chegou a 24,35%, contra 22,04% de Sandro. Já em Tibagi, o candidato do PDT registrou 30,77%, enquanto o representante do PSD alcançou 22,63%.
*Com Sandro Carrilho