Júlio Philbert aposta no corpo a corpo e defende reconstrução do Estado em candidatura a deputado federal
Advogado e ex-procurador-geral do município, candidato do PDT diz que pretende levar ao Congresso propostas voltadas ao serviço público e à administração estatal
Da Redação
Castro – A experiência de mais de uma década dentro da administração pública de Castro levou o advogado e procurador municipal Julio Adriano Tonatto Philbert a dar um novo passo em sua trajetória profissional. Aos 50 anos, natural de Porto Alegre (RS) e morador de Castro, ele disputa pela primeira vez uma eleição e é candidato a deputado federal pelo PDT.
Casado com Gabriela, natural de Castro, Júlio, pai de dois filhos adultos, de um primeiro casamento, esteve visitando a redação do Página Um News. Em conversa com a reportagem, descreveu sua trajetória profissional que começou antes do Direito e sua pretensões futuras. Durante 12 anos, atuou como policial militar, período em que também iniciou os estudos que o levariam à graduação em Direito pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Depois de formado, começou a advogar por volta de 2010, principalmente no Paraná, com atuação também em Curitiba. Em 2013, chegou à Prefeitura de Castro, inicialmente como chefe do Departamento Legislativo. Posteriormente, passou a atuar na Procuradoria do Município e, desde 2017, ocupa o cargo de procurador municipal.
Durante aproximadamente sete anos e meio, Júlio também exerceu a função de procurador-geral do município, nas administrações de Moacyr Fadel e do ex-prefeito Álvaro Telles. A formação profissional foi ampliada com uma especialização em Processo Administrativo Disciplinar, voltada a questões éticas e morais, e, mais recentemente, com um MBA em Licitações e Contratos Públicos pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná.
Da Procuradoria para a política
A decisão de entrar na política, segundo Júlio, começou a amadurecer em agosto do ano passado. A experiência como advogado do município teria sido determinante para essa escolha. Na avaliação do candidato, sua atuação na Procuradoria permitiu acompanhar de perto o funcionamento da administração pública e a relação entre decisões políticas, legislação e interesse público.
“Comecei a ver que há um grande desvio de finalidade, um grande desvio de interesses. E o interesse público, que é aquilo que a gente mais defende, acaba caindo para terceiro, quarto, último lugar nessa corrida”, afirmou. Foi a partir dessa percepção que decidiu disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, em vez de iniciar uma carreira política pelo Legislativo municipal.
Para Júlio, a mudança que pretende defender precisa ocorrer também no âmbito federal. Uma das propostas que pretende apresentar é a criação de mecanismos que impeçam políticos que confessem crimes contra a administração pública de voltarem a ocupar funções na administração.
“Não é possível que a régua seja mais baixa para os políticos que vão gerir nossas vidas”, declarou.
Uma campanha “guerreira”
Ao falar sobre a campanha, Júlio rejeita a expressão “campanha franciscana”. Prefere defini-la como uma campanha guerreira, marcada principalmente pelo contato direto com os eleitores. Ele afirma que não possui uma estrutura financeira comparável à de campanhas com grandes investimentos e questiona quais interesses podem estar relacionados a campanhas eleitorais de grande porte.
“Quando vê uma campanha muito bonita, muito carregada, ali vai dinheiro. E é muito dinheiro. Dinheiro público, dinheiro privado, doações. Que interesses essa pessoa está representando?”, questionou.
Em contraposição, afirma que sua campanha procura alcançar pessoas que normalmente não fazem doações políticas e que sua estratégia é conversar diretamente com o eleitor. “Eu gosto de conversar muito com as pessoas, ouvir o que elas têm a dizer e principalmente passar essas ideias”, relatou.
Segundo Júlio, esse contato também serve para apresentar à população o trabalho que desenvolve há anos dentro da administração municipal. “Meu trabalho já está há 13 anos dentro do município. Você não vê, mas eu já trabalho para você há 13 anos”, afirmou.
Ele destaca que a função exercida por um procurador municipal ocorre, por natureza, longe dos holofotes. “O trabalho do procurador, como deve ser um agente público, não pode agir em busca de holofotes. Ele tem que agir porque a missão dele é o dever dele”, disse.

“Reconstrução do Estado”
Entre as principais bandeiras apresentadas por Júlio está aquilo que define como uma “reconstrução do Estado”. Segundo ele, o conceito envolve o fortalecimento dos órgãos públicos, dos municípios e dos serviços prestados diretamente à população.
O candidato critica o avanço das privatizações e terceirizações em áreas que considera estratégicas e relaciona esse processo à situação de serviços públicos que, segundo sua avaliação, perderam qualidade. “Reconstrução dos órgãos públicos, reconstrução do município. E por que reconstrução? Porque foi desconstruído”, afirmou.
Outro tema citado durante a entrevista foi o sistema de pedágios do Paraná. Júlio questiona o custo das tarifas para moradores dos Campos Gerais que precisam se deslocar frequentemente para Ponta Grossa ou Curitiba.
A crítica faz parte, segundo ele, de uma visão mais ampla sobre a necessidade de rever o papel do Estado e garantir serviços públicos acessíveis à população.
Defesa do servidor público
A valorização dos servidores públicos aparece como um dos pilares de seu discurso.
Júlio afirma que, ao longo da carreira como policial militar e posteriormente como advogado e procurador municipal, passou a observar de perto a importância do funcionalismo para o funcionamento das administrações.
“Quem leva qualquer administração nas costas é o servidor público, dos mais diversos níveis”, afirmou. Na visão apresentada pelo candidato, o servidor precisa ter respeito, remuneração adequada e liberdade para exercer suas funções dentro da lei.
“Servidor público precisa de respeito, de salário e de liberdade de atuação”, declarou.
Influência de Brizola e Requião
A escolha pelo PDT também tem relação com a história familiar de Júlio.
Nascido em Porto Alegre, ele cresceu em uma família na qual a trajetória política de Leonel Brizola era frequentemente discutida. Uma tia, segundo contou, chegou a cantar o Hino da Legalidade no Palácio Piratini, durante o movimento político de 1961.
A influência de Brizola acompanhou sua formação política desde a infância. Já no Paraná, durante o período em que atuava como policial militar, Júlio afirma ter acompanhado de perto a trajetória do ex-governador Roberto Requião, que passou a ser outra referência para sua visão sobre o papel do Estado.
O PDT, atualmente, tem Roberto Requião como candidato a deputado federal e Requião Filho como candidato ao Governo do Paraná. A legenda apresenta entre suas bandeiras para 2026 a defesa do fortalecimento do serviço público e de uma maior atuação estatal.
Apoios fora de Castro
Embora reconheça que sua estrutura ainda é pequena, Júlio afirma ter recebido manifestações de apoio em outros municípios paranaenses, citando Paranaguá, Palmas e Maringá.
Em Castro, também declarou apoio ao candidato Fabrício Kleinbing, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná. Segundo Júlio, a aproximação ocorreu por conhecer pessoalmente o advogado e por se identificar com seu trabalho voltado principalmente à população idosa.
Ele afirma que seu apoio não está relacionado a recursos financeiros ou estrutura de campanha, mas a uma relação pessoal e política.
Sistema proporcional e expectativa de votos
Ao comentar a necessidade de uma votação expressiva para conquistar uma cadeira na Câmara Federal, Júlio destacou que a eleição para deputado federal ocorre pelo sistema proporcional, no qual os votos recebidos pelos candidatos e partidos participam do cálculo da distribuição das cadeiras. O próprio TSE explica que as cadeiras são distribuídas entre partidos e federações conforme a votação total, sendo preenchidas pelos candidatos mais votados dentro das legendas. O candidato reconhece que ainda não sabe qual será sua votação e afirma que o resultado dependerá do desempenho da legenda e dos demais candidatos.
Para Júlio, entretanto, existe espaço para candidaturas que tenham origem em Castro. Ele observa que a cidade apresenta diferentes nomes concorrendo à Câmara Federal e afirma ter percebido, durante as conversas com eleitores, uma preferência por candidatos com ligação direta com o município.
Como esta é sua primeira disputa eleitoral, o candidato afirma que seu principal objetivo, neste momento, é elevar o nível do debate e apresentar propostas baseadas na experiência acumulada dentro da administração pública.
“O projeto é tão somente esse até o momento: subir o nível do debate, subir o nível das propostas e mostrar, da minha experiência de procurador do município, o porquê das coisas não estarem funcionando direito e como poderiam funcionar”, afirmou.
E depois da eleição?
Questionado sobre a possibilidade de disputar a Prefeitura de Castro ou uma cadeira na Câmara Municipal nas próximas eleições, Júlio não descarta uma continuidade na política, mas afirma que a decisão dependerá do cenário partidário.
“Eu estou animado, mas não sei te dizer. Isso depende de uma conjuntura partidária”, declarou.
Ele também fez uma avaliação sobre o cenário político local e afirmou que, atualmente, não se sente representado pelos políticos eleitos no município.
“Escolham bem”
Ao final da entrevista, Júlio agradeceu o espaço concedido pelo Página Um News e deixou uma mensagem aos eleitores. “Quero dizer para a população que escolham bem”, afirmou.
Na sequência, reforçou as ideias que, segundo ele, orientam sua candidatura: reconstrução e fortalecimento dos serviços públicos, retomada da estrutura estatal e valorização dos servidores.