Nova lei fortalece seguro rural e protege recursos da subvenção, afirma Sistema FAEP

Entidade paranaense participou da construção do marco legal, que prevê, entre outros, condições diferenciadas de crédito para produtores com operações seguradas

Da Assessoria

Curitiba – Com participação do Sistema FAEP em sua construção, o novo marco legal do seguro rural brasileiro foi publicado no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (30). A Lei 15.526/2026 prevê maior proteção aos recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), amplia a integração entre seguro e crédito rural e estabelece medidas para fortalecer a gestão de riscos no campo.

Confira a íntegra da Lei nº 15.526/2026 no Diário Oficial da União (https://bit.ly/46Suwnw)

Originada do Projeto de Lei 2.951/2024, a legislação atende a uma demanda do setor agropecuário por mais previsibilidade na contratação da proteção para as lavouras. Entre as principais mudanças, a subvenção ao prêmio do seguro rural passa a ser despesa obrigatória, protegida de contingenciamento. O mecanismo permite que o governo federal arque com parte do valor pago pelo produtor para contratar o seguro.

“A proteção orçamentária dá mais segurança ao produtor para planejar a contratação antes do plantio. Sendo assim, a nova lei atende ao nosso clamor de que o seguro rural é fundamental para a sustentabilidade no campo e precisa ser valorizado e fomentado para evitar que, diante dos riscos, principalmente climáticos, a produção de alimentos fique totalmente descoberta”, avalia o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

A partir de 2027, a gestão orçamentária do PSR terá de acompanhar o calendário agrícola, para que a subvenção esteja disponível no período de contratação das apólices.

 

Queda no Seguro Rural
A sanção ocorre em um cenário de redução da cobertura do seguro rural no Paraná. No início de maio, o Sistema FAEP divulgou dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) que apontam queda de 17% na arrecadação do seguro rural no Estado, de R$ 2,3 bilhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão em 2025.

Os dados do PSR também mostram retração da área segurada: de 3,8 milhões de hectares em 2021 para 1,25 milhão de hectares em 2025, queda aproximada de 67%. A diminuição deixa uma parcela maior da produção exposta a perdas, com possíveis consequências sobre a renda dos produtores e a capacidade de pagamento dos financiamentos.

“Parte significativa dessa queda está relacionada a cortes anunciados pelo governo federal, nos últimos anos, para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. Isso desestimula o agricultor e coloca toda a atividade em risco”, diz Meneguette. “Com a sanção da lei, esperamos que isso seja remediado. Afinal, a legislação traz, entre outros, incentivos como redução nas taxas de juros e subsídio ao prêmio do seguro”, completa.

 

Integração com o crédito

Outro eixo do novo marco legal é a aproximação entre o seguro e o financiamento da produção. A apólice passa a compor as garantias do crédito rural, e as operações seguradas poderão contar com condições diferenciadas de juros, prazos e limites.

A legislação também prevê a possibilidade de prioridade no acesso ao crédito rural, incluindo prorrogações e renegociações, além do financiamento do prêmio do seguro. A aplicação dessas medidas dependerá da regulamentação e das condições estabelecidas para as operações.

A proposta é ampliar o uso do seguro como instrumento de proteção tanto da atividade produtiva quanto da capacidade de pagamento do agricultor. Quando ocorre uma perda coberta pela apólice, a indenização pode ajudar a reduzir o impacto financeiro e permitir a continuidade da produção.

 

Cobertura e transparência

A lei também estabelece bases para a estruturação do Fundo de Cobertura Suplementar dos Riscos do Seguro Rural, previsto em legislação desde 2010. O instrumento é voltado à cobertura suplementar de riscos catastróficos, que podem atingir simultaneamente um grande número de propriedades.

O novo marco inclui mudanças nos procedimentos de regulação e liquidação de sinistros, etapas de análise das perdas e definição das indenizações. Também prevê bancos de dados públicos, um manual com as regras da subvenção e comissões consultivas com participação de seguradoras e produtores.

As medidas buscam ampliar a transparência e melhorar a organização das informações utilizadas na gestão do seguro rural e do PSR.

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