Vorcaro consultou Moraes sobre fuga: “2ª tenho que estar fora?”, diz jornal

Mensagens revelam que ex-banqueiro consultou ministro dois dias antes de ser preso

Da Redação*

Brasília – O conteúdo de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acrescentou novos elementos à controvérsia envolvendo o empresário e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As conversas, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, foram trocadas nos dias que antecederam a prisão de Vorcaro pela Polícia Federal, em novembro de 2025.

Em 15 de novembro, dois dias antes de ser detido quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai, Vorcaro perguntou diretamente a Moraes se deveria deixar o país.

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu o empresário. Na mesma mensagem, ele questionou se o ministro Ricardo seria o responsável pelo caso, perguntou se o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinha conhecimento da situação e quis saber se havia alguma medida que pudesse ser tomada.

No dia seguinte, a comunicação continuou. Um dia antes da prisão, Vorcaro perguntou a Moraes se havia possibilidade de que uma determinada medida fosse tomada na manhã seguinte.

As mensagens passaram a integrar o conjunto de informações analisadas no contexto da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Conforme apontado na investigação, o conteúdo das conversas pode indicar que o ministro tinha conhecimento prévio de informações relacionadas ao planejamento de diligências da PF, incluindo possíveis datas e horários.

A interpretação sobre o significado dessas mensagens, no entanto, está no centro das discussões e não equivale, por si só, à comprovação de eventual irregularidade.

Contrato de R$ 131 milhões

Outro ponto que ganhou relevância é a relação profissional entre Vorcaro e o escritório de advocacia comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

A banca confirmou a existência de um contrato no valor de R$ 131 milhões firmado com o ex-banqueiro. O documento também teria sido analisado pelo próprio ministro.

Em manifestação divulgada pelo escritório, a banca afirmou que seu setor de compliance procurou Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar possíveis impedimentos legais à contratação. Entre os pontos considerados estavam eventuais processos em tramitação no STF sob relatoria do ministro ou julgamentos que pudessem envolver interesses do possível cliente.

A existência do contrato acrescenta outra dimensão ao caso, já que as informações sobre a relação profissional passaram a ser analisadas paralelamente às mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.

Possível investigação sobre Moraes

As novas revelações também repercutiram dentro do próprio Supremo.

Informações divulgadas pela CNN Brasil apontam que o ministro André Mendonça avalia apresentar ao presidente da Corte, Edson Fachin, um pedido formal para que seja aberta uma investigação envolvendo Moraes. Mendonça também estaria fazendo uma avaliação dos possíveis votos favoráveis à abertura do procedimento.

O movimento ocorre em meio às acusações de que Moraes teria buscado informações ou proteção para Vorcaro junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Essas alegações fazem parte do conjunto de questionamentos que passaram a envolver a atuação do ministro no caso.

Até o momento, as informações divulgadas não representam uma conclusão judicial sobre eventual crime ou irregularidade praticada por Moraes. A apuração e a análise dos fatos são necessárias para determinar o alcance das relações e das comunicações mencionadas.

Banco Central

Nas mensagens atribuídas a Vorcaro, o nome de Gabriel Galípolo também aparece. O ex-banqueiro pergunta a Moraes se o presidente do Banco Central tinha conhecimento da situação e se seria possível alguma atuação.

O Banco Central, porém, ainda não havia se manifestado sobre esse trecho das conversas até a divulgação das informações utilizadas como base para esta reportagem.

O caso reúne, portanto, diferentes frentes: as mensagens trocadas antes da prisão de Vorcaro, a investigação da Polícia Federal, o contrato milionário firmado com o escritório ligado à família do ministro e os questionamentos que agora alcançam a própria atuação de Alexandre de Moraes. O esclarecimento sobre cada uma dessas relações depende da análise documental e dos procedimentos formais que eventualmente forem instaurados.

*Com informações da CNN Brasil

Participe do grupo no WhatsApp do PáginaUm News e receba as principais notícias dos campos gerais direto na palma da sua mão.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.