Moro, Sandro Alex e Requião Filho iniciam campanha ao Governo do Paraná com estratégias distintas

Primeiro dia de propaganda eleitoral oficial colocou em cena três caminhos: marca pessoal, força territorial e alinhamento com o palanque nacional de Lula

Emerson Teixeira

Castro – A corrida pelo Governo do Paraná entrou oficialmente em uma nova fase neste domingo (16), quando começou o período autorizado para propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Sergio Moro (PL), Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT), três dos principais nomes da disputa, escolheram caminhos diferentes para marcar o primeiro dia de campanha.

Moro concentrou sua largada no Noroeste do Estado, tendo Maringá como ponto de partida. Sandro Alex espalhou compromissos por diferentes regiões, combinando encontros políticos, lideranças municipais e eventos. Já Requião Filho optou por começar fora do Paraná, participando em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, do lançamento da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais do que uma disputa sobre quem teve a agenda mais movimentada, os primeiros movimentos expõem estratégias políticas diferentes para uma eleição que começa oficialmente agora.

Campanha deixa fase de pré-candidaturas e ganha as ruas

O calendário do Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu 16 de agosto como a data de início da propaganda eleitoral geral. A partir desse dia, candidaturas podem fazer propaganda eleitoral, inclusive na internet, respeitando as regras estabelecidas pela legislação.

A mudança encerra, na prática, o período em que partidos e pré-candidatos atuavam principalmente por meio de articulações, convenções e agendas políticas. A partir de agora, a disputa passa a ser apresentada diretamente ao eleitor.

Comícios podem ser realizados até 1º de outubro, enquanto caminhadas, carreatas e passeatas estão autorizadas até as 22 horas do dia 3 de outubro, véspera do primeiro turno. Foi nesse ambiente que os três candidatos desenharam a largada.

Moro aposta em identidade construída nacionalmente

Sergio Moro escolheu Maringá, cidade onde nasceu, para iniciar a campanha. A agenda passou pela Feira da Mauá e depois avançou para Cianorte e Peabiru, onde o candidato participou de compromissos comunitários e da Festa do Carneiro ao Vinho.

A escolha combina uma referência pessoal — a cidade natal — com eventos de contato direto com o público.

Na comunicação eleitoral, entretanto, a candidatura manteve temas que acompanham a trajetória política de Moro desde sua projeção nacional: combate à corrupção, segurança pública e enfrentamento ao crime. A campanha também adotou discurso de oposição ao PT e ao Centrão.

O candidato também apresentou sua candidatura como uma alternativa associada à honestidade e ao combate à corrupção, retomando elementos de sua imagem construída durante a atuação na Operação Lava Jato.

A estratégia, neste primeiro momento, é transformar uma notoriedade que ultrapassa as fronteiras paranaenses em identidade eleitoral dentro do Estado.

Sandro Alex percorre diferentes regiões

Sandro Alex adotou uma estratégia mais territorial no domingo. A agenda começou em Curitiba e São José dos Pinhais e depois avançou para o interior.

Entre os compromissos estiveram encontros políticos, inauguração de comitê, lançamentos de candidaturas proporcionais e participação em eventos ligados ao agronegócio e às tradições regionais. Campo Mourão, Peabiru e Cianorte também fizeram parte da programação.

Em Cianorte, o candidato participou de encontro com prefeitos e lideranças da Associação dos Municípios do Médio Noroeste do Paraná (Amenorte).

A composição da agenda mostra uma campanha que pretende se apresentar apoiada em uma rede política já estruturada. Prefeitos, candidatos a deputado, lideranças regionais e aliados partidários aparecem lado a lado nos primeiros compromissos.

Sandro Alex também vincula sua candidatura à continuidade do grupo político liderado pelo governador Ratinho Junior. O discurso de campanha utiliza a ideia de manter políticas do atual governo e ampliar ações nas áreas de infraestrutura, industrialização, inovação e desenvolvimento econômico.

O desafio dessa estratégia está em transformar a presença entre lideranças políticas e municipais em reconhecimento mais amplo junto ao eleitorado estadual.

Requião Filho leva largada para São Paulo

A escolha de Requião Filho foi diferente. Em vez de iniciar a campanha com uma agenda pelo Paraná, o candidato esteve em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, em um ato ligado ao lançamento da campanha presidencial de Lula.

O deputado estadual participou do evento ao lado de Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, nomes do PT que disputam o Senado pelo Paraná.

A movimentação deixa evidente a aposta na associação entre a candidatura estadual e o projeto nacional de Lula. O PDT confirmou apoio à candidatura do presidente à reeleição, estabelecendo uma aliança que passou a fazer parte da estratégia eleitoral de Requião Filho.

O candidato também adotou o slogan “Paraná que cuida” e reforçou a oposição a Moro e ao grupo político que atualmente comanda o Estado.

A escolha por um ato nacional dá escala à candidatura, mas também coloca a disputa estadual dentro de uma polarização política que ultrapassa as fronteiras do Paraná.

Três campanhas, três caminhos

O primeiro dia não permite concluir, por si só, qual estratégia terá maior resultado eleitoral. O que já aparece com clareza é a diferença de posicionamento.

Moro começou pela força de uma marca política individual construída nacionalmente. Sandro Alex colocou em campo uma estrutura apoiada por lideranças municipais e pela associação com o atual governo estadual. Requião Filho buscou desde o primeiro momento uma conexão direta com o projeto presidencial de Lula.

A partir de agora, essas estratégias terão de disputar espaço em um eleitorado de perfis bastante diferentes entre as regiões do Paraná.

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