Queijaria de Carambeí conquista Selo Arte inédito no município
Sete produtos da pequena empresa recebem certificação e abrem caminho para expansão da agroindústria
Da Assessoria
Carambeí – O que começou como uma experiência despretensiosa dentro da fazenda da família agora está pronto para ganhar o Brasil. Sete produtos da Queijaria Dutch Lady, de Carambeí, receberam o Selo Arte, certificação concedida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que reconhece a produção artesanal e permite a comercialização em todo o território nacional.
O certificado foi entregue na sexta-feira (03), pela prefeita de Carambeí, Elisângela Pedroso de Oliveira Nunes. A conquista é inédita no município: esta é a primeira vez que uma agroindústria local recebe o reconhecimento, ampliando as possibilidades de mercado e fortalecendo a cadeia produtiva da região.
Na Dutch Lady, foram certificados os queijos Gouda 3 meses, Gouda 6 meses, Gouda 12 meses, Gouda 18 meses, Baby Gouda, queijo cremoso Cremagge e o iogurte integral.
“Essa foi a virada de chave que a gente esperava. Cada queijo que sai daqui carrega anos de estudo, testes e muito carinho pela terra da nossa família. Ver esse trabalho reconhecido com o Selo Arte é a confirmação de que estávamos no caminho certo”, comemora a produtora Nathalia Dijkstra.
Com o novo cenário, ela conta que a expectativa é de crescimento. Além da ampliação da produção, a queijaria já aposta em novidades, como o doce de leite artesanal, atualmente em processo de registro.
A história da queijaria começou de forma simples, quase como um teste dentro da propriedade rural.
“A gente começou brincando de fazer queijo, aproveitando a matéria-prima que já tinha na fazenda, que é um leite de primeira”, relembra Nathalia. O que era curiosidade virou negócio, impulsionado pela busca por conhecimento técnico e, principalmente, pela paixão pela produção artesanal.
Descendentes de imigrantes holandeses, as produtoras encontraram na própria origem a identidade do empreendimento. O foco no queijo Gouda, um dos mais tradicionais do mundo, resgata sabores da colônia com técnicas de maturação que chegam a 24 meses.
Abrindo portas
Essa mudança de patamar representa também um novo posicionamento para a produção local. Para a coordenadora do Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Animal da prefeitura de Carambeí, Andressa Dudcoschi, o impacto é especialmente significativo para a cidade.
A certificação, mais do que ampliar vendas, coloca a produção local como vitrine da qualidade leiteira de Carambeí, município já reconhecido no setor. São itens que carregam técnica, identidade e experiência, características que dialogam também com o turismo.
“O Selo deixa de ser apenas uma certificação e se torna uma porta de entrada para novos mercados. Quando o consumidor vê esse reconhecimento e entende que é um produto artesanal, há uma percepção de qualidade e identidade que agrega valor ao produto”, avalia Andressa.
Essa visão é compartilhada pelo Sebrae/PR, que atuou como parceiro da jornada. Mais do que uma certificação, o Selo Arte é visto pela instituição como uma ferramenta de desenvolvimento territorial, capaz de fortalecer a competitividade das pequenas agroindústrias ao ampliar mercado, profissionalizar a gestão e estimular a inovação dentro da produção artesanal. Na prática, a certificação amplia significativamente o alcance das agroindústrias, permitindo a comercialização em todo o território nacional e eliminando intermediários, o que fortalece a autonomia do produtor.
A avaliação é da consultora do Sebrae/PR, Caroline Ferreira Miranda, que destaca o papel da instituição como mediadora entre o produtor e o processo de regularização sanitária e acesso ao mercado.
“O nosso papel é justamente esse: desenvolver o pequeno produtor para que ele seja sustentável, competitivo e capaz de crescer. O Selo é uma das ferramentas dentro desse processo”, diz. A experiência da Dutch Lady, segundo ela, consolida esse modelo.
“É o primeiro Selo Arte de Carambeí. Isso mostra que o caminho existe. E quando um produtor consegue avançar, ele abre caminho para toda uma rede produtiva da região”, conclui Caroline.