Jornalista e escritor Eduardo Gusmão morre aos 72 anos
Profissional teve trajetória marcante no jornalismo dos Campos Gerais, com atuação em veículos de comunicação, instituições culturais e na literatura paranaense
Emerson Teixeira
Castro – O jornalista, escritor e cronista Eduardo Gusmão dos Anjos Sobrinho morreu na manhã desta sexta-feira (15), aos 72 anos, em Ponta Grossa. Natural de Castro, ele estava internado no Hospital Bom Jesus desde o fim de março, após passar por uma cirurgia cardíaca relacionada à aorta. O local do velório ainda não havia sido divulgado até a publicação desta reportagem. O sepultamento deve ocorrer em Castro.
Reconhecido pela atuação no jornalismo regional e pela contribuição à cultura dos Campos Gerais, Eduardo Gusmão construiu uma trajetória de mais de cinco décadas ligada à comunicação, à literatura e à formação acadêmica.
A aproximação com o jornalismo começou ainda na adolescência. Em 1969, aos 16 anos, assinava a coluna “Alô, Juventude!”, publicada no jornal Folha de Castro. Nos anos seguintes, participou da criação e edição do jornal estudantil O Idealista e colaborou com o periódico O Bravo.
A primeira experiência profissional na imprensa ocorreu no Jornal do Iapó, entre 1975 e 1976, onde trabalhou como repórter e redator. Depois, integrou a equipe da revista VUP, publicação de circulação nacional, chegando à chefia de redação. Em parte de suas produções literárias e crônicas, utilizou o pseudônimo “Silveira do Walle”.
Formação acadêmica e atuação na UEPG
Eduardo Gusmão formou-se em Letras Português-Inglês em 1979 e posteriormente em Jornalismo, em 1990, ambos os cursos pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Integrou a primeira turma de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo.
Durante o período universitário, participou da fundação do Centro Acadêmico de Jornalismo da instituição, atualmente conhecido como Cajor, inclusive foi o primeiro presidente. Também esteve envolvido na organização de iniciativas voltadas ao jornalismo estudantil e à produção cultural, como concursos literários e encontros estaduais de estudantes de comunicação.
Na UEPG, trabalhou por mais de três décadas na Assessoria de Comunicação Social (Ascom), entre 1980 e 2011.
Além da atuação universitária, passou por veículos como A Notícia e Rádio Difusora, e exerceu funções de assessoria de imprensa na Câmara Municipal de Ponta Grossa e em órgãos públicos municipais.

Referência cultural nos Campos Gerais
Na área cultural, Eduardo Gusmão esteve entre os fundadores do jornal alternativo Ponta a Ponta, publicação voltada à cobertura artística e cultural dos Campos Gerais. Posteriormente, assumiu a editoria do jornal e revista D’Pontaponta, projeto que manteve por décadas.
Também teve participação ativa em entidades literárias da região. Era integrante da Academia de Letras dos Campos Gerais, ocupando a cadeira 25 desde 2002, além de membro da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes (Apla).
Entre as obras publicadas está o livro de contos VidAmores, lançado em 2016, reunindo histórias sobre cotidiano e relações humanas. Ao longo da carreira, recebeu premiações em concursos literários promovidos por instituições culturais e universitárias do Paraná.
Problemas de saúde
A internação do jornalista começou no final de março deste ano, após uma cirurgia cardíaca. Durante o período hospitalar, ele enfrentou complicações como infecção hospitalar, pneumonia e problemas renais, permanecendo em tratamento intensivo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A morte de Eduardo Gusmão repercutiu entre profissionais da comunicação, escritores e representantes do meio cultural dos Campos Gerais, onde ele era considerado uma das referências históricas do jornalismo e da literatura regional.
O diretor do Página Um News, Sandro Adriano Carrilho, lamenta a morte do jornalista e destaca sua contribuição para a comunicação regional. “Eduardo Gusmão deixa um legado importante para o jornalismo e para a cultura dos Campos Gerais. Sua trajetória sempre será lembrada pelo compromisso com a informação, pela valorização da literatura e pela dedicação à comunicação regional”, manifestou.