Castrense foi piloto de caça na Segunda Guerra Mundial

Renato de Oliveira
Especial para P1 News

A Força Expedicionária Brasileira (FAB) celebra, nesta quarta-feira (22) de abril, o “Dia da Aviação de Caça” e marca também 81 anos da vitória das forças aliadas do Brasil durante o conflito da Segunda Guerra Mundial, encerrado em 1945, na Itália.

Entre os 17 pracinhas castrenses que tiveram participação efetiva nesta conquista, destaca-se a pessoa de Lívio Rolim de Moura, que serviu como piloto do 1º Grupo de Aviação de Caça. Filho desta terra, Lívio Rolim de Moura morava na Rua XV de Novembro, próximo à antiga Câmara Municipal, e faleceu em 2009. Na época, foi sepultado com honras militares no Cemitério Frei Mathias, na quadra 9, lote 106.

Conforme entrevista concedida ao então repórter Renato de Oliveira, a um jornal local, em novembro de 1995, o ex-pracinha de Castro contou, em detalhes, toda a sua sequência de viagem do Brasil até a chegada ao seu acampamento, já em terras da Itália, e seu posterior retorno.

“No dia 13 de dezembro de 1943, segui para o Rio de Janeiro, onde fui efetivado no Primeiro Grupo de Aviação de Caça. Vinte dias depois, rumei para os Estados Unidos em missão especial. Lá, me apresentei na Army Force School of Applied Tactics, sediada em Orlando, na Flórida. Ali, recebi instruções correspondentes às funções que iria desempenhar junto ao Primeiro Grupamento de Aviação de Caça. Durante o período em que permaneci em Orlando, fiz cursos no Army Air Force Tactical, segui para Miami e, posteriormente, viajei para Albrook Field, no Panamá. Segui para Aguadulce, onde fiz treinamento de guerra. Embarquei depois num navio de transporte da Marinha de Guerra dos EUA e fui de ferry boat e caminhão para a base de estacionamento, onde permaneci em quarentena. Posteriormente, viajei de trem para a base aérea de Suffolk Army Field, no estado de Nova Iorque. Dali, fui para a Virgínia e embarquei no navio de transporte de guerra UST Columbia, com destino a Livorno, na Itália. Por via férrea, viajei com destino a Tarquinia, de onde me desloquei para Pisa. Nesta cidade, fui classificado como piloto no Esquadrão Volante de seção comando/transmissões, onde permaneci até o final do conflito militar. No meu retorno ao Brasil, fui efetivado na Base Aérea de Cumbica, onde servi até janeiro de 1946, quando então solicitei baixa da Força Aérea Brasileira. Alguns anos depois, fui reformado como primeiro sargento aviador, com proventos de segundo-tenente”, observou.

Lívio Rolim de Moura tem seu nome gravado na placa de bronze no monumento aos Expedicionários, na Praça Duque de Caxias, próxima ao quartel do 5º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, em Castro.

Reconhecimento e importância

A atuação dos pilotos do Primeiro Grupamento de Aviação de Caça — do qual fez parte o piloto castrense Lívio Rolim de Moura — consolidou a reputação dos pracinhas da FAB, conhecidos como “Jambocks”, que, ao longo da campanha, acumularam dezenas de missões de apoio aéreo aproximado, interdição e reconhecimento armado, chamando a atenção de comandantes aliados e reforçando a importância da participação brasileira no esforço de guerra.

Desde então, o dia 22 de abril passou a simbolizar não apenas aquele episódio histórico, mas, sobretudo, os valores da Aviação de Caça da FAB, que teve o piloto castrense Lívio Rolim de Moura em suas fileiras e que participou, com coragem, disciplina, preparo técnico e espírito de missão, da conquista brasileira em terras da Itália.

Desde janeiro de 2025, não restam mais pilotos veteranos do Primeiro Grupo de Aviação de Caça que atuaram na Segunda Guerra Mundial. Os dados são do censo permanente da FEB.

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