UEPG tem curso de Medicina Veterinária aprovado para Castro

Parecer do Conselho Estadual de Educação autoriza oferta em caráter excepcional e experimental

Emerson Teixeira

Castro – O Conselho Estadual de Educação do Paraná aprovou por unanimidade o parecer favorável à criação do curso de Bacharelado em Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) no município de Castro. A decisão, considerada um marco para o ensino superior no Estado, integra de forma inédita a academia ao setor produtivo agroindustrial.

Apesar da aprovação, a efetivação da oferta — incluindo abertura de vestibular e início das aulas — ainda depende da expedição de um decreto autorizativo pelo Governo do Estado do Paraná, conforme rito estabelecido pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI). Após a implantação, o curso também deverá passar pelo processo regular de reconhecimento junto ao próprio Conselho.

A autorização foi consolidada por meio do Parecer CEE/CP nº 07/2026, emitido pelo Conselho Estadual de Educação do Paraná (CEE/PR). O documento foi aprovado em 13 de fevereiro de 2026 e publicado no Diário Oficial do Estado do Paraná (DOEPR nº 12094) em 26 de fevereiro de 2026.

O protocolo tramita sob o número 25.368.233-7 e estabelece que a oferta ocorrerá em caráter excepcional e experimental, com limitação inicial de três ofertas consecutivas. A instituição proponente é a UEPG, que assume integralmente a responsabilidade acadêmica e pedagógica do curso.

A decisão do CEE ressalta que o início das atividades depende da formalização do decreto estadual, etapa obrigatória para a abertura oficial de cursos superiores no âmbito das universidades estaduais.

Parceria inédita

O projeto se destaca pelo modelo inovador de cooperação institucional. Pela primeira vez no país, um curso de Medicina Veterinária de uma universidade pública será instalado fisicamente dentro de uma estrutura industrial e cooperativista.

A iniciativa envolve a UEPG, a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, a Prefeitura de Castro e o Governo do Estado. A estrutura será implantada no Parque Tecnológico Agroleite, complexo que já concentra iniciativas estratégicas para o desenvolvimento do agronegócio regional.

Nesse formato, a universidade será responsável pelo corpo docente, matriz curricular e condução pedagógica, enquanto a Castrolanda disponibilizará o espaço físico e abrirá suas unidades produtivas para atividades práticas. A proposta prevê que os alunos tenham contato direto com o dia a dia da produção leiteira e de corte desde os primeiros anos da graduação, atuando junto aos cooperados e colaboradores da cooperativa.

Infraestrutura e pesquisa aplicada

O curso terá como base o Parque Tecnológico Agroleite, consolidando o município como polo de inovação no setor agropecuário. Um dos pilares do projeto será o Laboratório do Leite, iniciativa da UEPG que receberá aporte de R$ 20 milhões do Governo do Estado.

A estrutura funcionará como planta de transferência de tecnologia, pesquisa e inovação, atendendo tanto às demandas da graduação quanto ao desenvolvimento de soluções voltadas ao aumento da competitividade da cadeia leiteira paranaense.

Além do espaço administrativo e acadêmico no parque tecnológico, as fazendas e indústrias da Castrolanda servirão como campo de estágio e prática profissional, fortalecendo o elo entre teoria e aplicação no campo.

Impacto regional 

A criação do curso reforça o título de Castro como “Capital Nacional do Leite” e atende a uma demanda histórica da região dos Campos Gerais por formação superior voltada às especificidades do agronegócio.

O impacto socioeconômico esperado inclui a fixação de talentos locais, redução da evasão de estudantes para outros centros e formação de profissionais altamente qualificados para atender às demandas do setor agroindustrial paranaense.

De acordo com o cronograma previsto pelas autoridades envolvidas, o vestibular deverá ser realizado no segundo semestre de 2026, com início das aulas programado para o primeiro semestre de 2027 — condicionados à publicação do decreto autorizativo.

A implantação do curso coincide com o momento de expansão da Castrolanda, que anunciou investimentos da ordem de R$ 500 milhões para 2026, reforçando a estratégia de desenvolvimento regional por meio da educação, tecnologia e inovação.

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