Quatro anos após o início da invasão russa à Ucrânia, o conflito que opõe Ucrânia e Rússia deixa marcas que ultrapassam fronteiras. O levantamento que aponta 23 brasileiros mortos desde 2022 — com dados confirmados pelo Ministério das Relações Exteriores — expõe uma dimensão pouco debatida: o envolvimento direto de cidadãos do Brasil em uma guerra estrangeira.
O número ganha contornos ainda mais graves ao se observar que mais da metade das mortes ocorreu apenas no último ano. A estatística revela não apenas a intensificação do conflito, mas também a persistência de brasileiros que, por diferentes motivações — ideológicas, financeiras ou pessoais — decidiram integrar forças estrangeiras. Soma-se a isso o registro de desaparecidos, ampliando a angústia de famílias que convivem com a incerteza.
O caso de paranaenses, inclusive um jovem de Castro, aproxima a tragédia da realidade local. Não se trata de números abstratos, mas de histórias interrompidas. A decisão individual de alistar-se em outro país não exime o Estado do dever de alertar, orientar e agir preventivamente.
A guerra no Leste Europeu é um drama geopolítico complexo, mas seus efeitos são humanos e concretos. Quando brasileiros tombam em solo estrangeiro, o conflito deixa de ser apenas notícia internacional e passa a ser também responsabilidade coletiva. O luto dessas famílias deve servir como reflexão sobre os limites entre convicção pessoal e risco extremo — e sobre o papel do Brasil diante de uma guerra que, embora distante, já cobra seu preço aqui.